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Como usar adoçantes nos seus doces

Um guia prático de como trocar o açúcar pelo adoçante nas suas receitas de doces — quanto usar de cada opção, por que combinar e pulverizar, e as conversões reais dos nossos doces, do bolo de chocolate ao morango do amor.

Por Publicado em 11 min de leitura Atualizado em
Como usar adoçantes nos seus doces

Principais conclusões

  1. 01A troca nem sempre é grama por grama — confira a concentração do blend: o Zero Pura Vida adoça dez vezes mais que o açúcar (1:10), enquanto o Snew Chocolife adoça igual (1:1).
  2. 02Use sempre dois adoçantes em vez de um: eritritol combinado com estévia ou xilitol dá doçura e corpo usando menos de cada e dilui qualquer ponto de atenção individual.
  3. 03Pulverize o eritritol e o xilitol antes de usar: como recristalizam ao esfriar, em grãos deixam o doce com textura areada; o pó fino, feito no liquidificador, resolve.
  4. 04Nunca adoce líquidos (café, chá, suco, batida), nem com açúcar nem com adoçante: o que se bebe sacia menos, o corpo não desconta as calorias depois e o paladar fica preso no doce.
  5. 05Deixe de fora o IMO e o maltitol (viram glicose apesar do marketing de fibra) e os artificiais. A fibra de milho do Snew é diferente do IMO: a FDA a reconhece como fibra de verdade.

Você já escolheu o adoçante certo — e se ainda não escolheu, comece por aqui. Agora vem a parte que quase ninguém ensina direito: como usar esse adoçante na receita sem errar a mão. Trocar o açúcar pelo adoçante nem sempre é só jogar a mesma quantidade na tigela — cada um adoça de um jeito, alguns precisam ser pulverizados e os melhores trabalham em dupla. Neste guia eu te mostro as conversões reais dos nossos doces, do bolo de chocolate ao morango do amor, sempre com a regra de ouro no lugar: o adoçante é coadjuvante de uma receita equilibrada, nunca o atalho.

Comece pela tabela rápida, que é o que você vai consultar na hora de cozinhar. Depois eu destrincho receita por receita.

Adoçante / marca Quanto adoça Como usar na receita
Eritritol (sozinho) Adoça um pouco menos que o açúcar Nunca isolado: combine com estévia ou xilitol, e pulverize
Eritritol + Stévia Color Andina® Juntos chegam ao dulçor do açúcar Ex.: 50 a 70 g de eritritol + 2 a 6 pazinhas de estévia para 80 g de açúcar
Eritritol + xilitol Em dupla, perto do açúcar (1:1) Metade de cada, pulverizados; reduza o xilitol se sentir desconforto
Zero Pura Vida® 10x mais doce que o açúcar (1:10) 3 g substituem 30 g de açúcar
Snew Chocolife® Igual ao açúcar (1:1) Grama por grama
Moon Sugar Free® Blend pronto Para receitas específicas, como o morango do amor

Antes de tudo: você é do açúcar ou do adoçante?

Essa é a primeira pergunta, e ela define todo o resto. No método Doce que Faz Bem eu trabalho com dois caminhos paralelos: se você não tem diabetes, costuma valer mais a pena usar um açúcar de qualidade em mínima quantidade; se você tem diabetes ou simplesmente prefere adoçante, vá para os adoçantes de melhor qualidade. Eu explico cada um deles, com as opções e as armadilhas, no guia de como escolher o melhor adoçante.

Os dois caminhos têm uma base que não muda, e é dela que este guia parte: o açúcar ou o adoçante sempre entram dentro de uma receita equilibrada nutricionalmente — rica em proteínas, gorduras boas, fibras, compostos funcionais e ingredientes de verdade. Adoçante de qualidade num doce vazio continua sendo um doce vazio. É por isso que aqui a gente fala de "como usar", e não só de "qual usar".

Os adoçantes que eu uso na cozinha

Para os nossos doces, eu trabalho com quatro grupos de opções, todos à base dos mesmos adoçantes de qualidade — combinados entre si:

  1. Adoçantes à base de taumatina, estévia ou monk fruit.
  2. Combinação de eritritol + Stévia Color Andina®.
  3. Combinação de eritritol + xilitol.
  4. Marcas comerciais prontas como Zero Pura Vida®, Moon Sugar Free® e Snew Chocolife®, e outras de sua preferência que já trazem combinações desses adoçantes.

E a allulose? Você vai ouvir falar bastante dela, e ela é mesmo um ótimo adoçante: praticamente não tem calorias e quase não eleva a glicemia, é o que mostram os estudos. Tanto que nos Estados Unidos a FDA a reconhece como segura e no Japão ela é usada há anos. Mas eu preciso ser honesta com você: aqui no Brasil a allulose ainda não foi liberada — a ANVISA não a inclui na lista de adoçantes autorizados no país e, em 2025, chegou a proibir produtos que a usavam. E não é só aqui: na Europa ela também não está liberada, tratada como "alimento novo" que ainda não recebeu o aval da EFSA, a agência europeia. Então, por enquanto, a allulose fica fora da nossa cozinha — fico de olho e te aviso quando isso mudar.

O que não entra, em nenhum cenário: adoçantes "naturais" à base de IMO (isomalto-oligossacarídeo) e maltitol, e qualquer adoçante artificial. Esses dois primeiros se vendem como fibra ou como opção "diet", mas se comportam quase como açúcar no seu sangue — eu explico o porquê de cada um no guia de como escolher o adoçante.

A regra que quase ninguém respeita: nunca adoce líquidos

Essa é simples e firme: eu não recomendo adoçar líquidos — sucos, cafezinhos, batidas, chás —, nem com açúcar, nem com adoçante de tipo nenhum.

E o motivo é fisiológico: o que a gente bebe sacia muito menos do que o que a gente mastiga, então o corpo não "desconta" essa quantidade e você acaba comendo mais no resto do dia. Some a isso o hábito de adoçar tudo o tempo todo, que mantém o paladar preso no doce e faz você precisar de cada vez mais para se satisfazer. Café, chá e suco a gente aprende a apreciar pelo sabor de verdade — e isso reeduca o paladar a favor da sua saúde.

Como substituir o açúcar pelo adoçante, na prática

A regra geral é direta: você pode trocar o açúcar que está na lista de ingredientes pela mesma quantidade de qualquer uma das opções de adoçante — ou pela quantidade equivalente que a embalagem comercial indicar. O detalhe que muda tudo são os blends concentrados: alguns adoçam muito mais que o açúcar, então a conta não é mais "grama por grama". O Zero Pura Vida®, por exemplo, adoça dez vezes mais; o Snew Chocolife® adoça igual.

Para não ficar no abstrato, abaixo estão as conversões reais que eu uso nos nossos doces. Em cada receita eu mostro um caminho, mas você pode escolher o adoçante que preferir, seguindo a tabela do começo e a sua tolerância.

As conversões reais, receita por receita

Bolo de chocolate (eritritol + estévia)

A receita pede 80 g de açúcar. A gente substitui por eritritol pulverizado + Stévia Color Andina®, em qualquer uma destas combinações:

  • 50 g de eritritol + 6 pazinhas de estévia, ou
  • 60 g de eritritol + 4 pazinhas de estévia, ou
  • 70 g de eritritol + 2 pazinhas de estévia.

Cada pazinha conta como 5 g — e a pazinha (uma mini espátula) já vem junto da embalagem da Stévia Color Andina®. Escolha a combinação pelo seu paladar: quanto mais estévia, mais dulçor o doce ganha; quanto mais eritritol, mais "encorpado" o doce fica.

Calda de chocolate e bolo de cenoura (Zero Pura Vida®)

O Zero Pura Vida® adoça dez vezes mais que o açúcar (1:10), então você usa pouquíssimo. Na calda de chocolate, eu usei só 3 g no lugar das 30 g de açúcar de coco da receita. No bolo de cenoura, foram 8 g no lugar de 80 g de açúcar de coco. A conta é sempre dividir por dez.

Bolo cítrico, coulis, merengue e bolachinha (eritritol + xilitol)

Essas receitas ficam ótimas com a dupla eritritol + xilitol pulverizados, meio a meio. Os dois números abaixo são, na ordem, gramas de eritritol e gramas de xilitol — e você pode escolher a proporção:

Receita Açúcar na receita original Eritritol + xilitol pulverizados (opções)
Bolo cítrico com coulis de frutas vermelhas 70 g 35 + 35 · ou 45 + 25 · ou 50 + 20
Coulis de frutas vermelhas 20 g 10 + 10 · ou 15 + 5
Merengue suíço 100 g 50 + 50 · ou 60 + 40 · ou 75 + 25
Bolachinha amanteigada 80 g 40 + 40 · ou 50 + 30 · ou 60 + 20

Repare que dá para mexer na proporção: o xilitol pode causar desconforto intestinal em muita gente, então, se for o seu caso, é só reduzir o xilitol e aumentar o eritritol — por isso cada receita tem mais de uma opção.

Bolo de laranja, calda de laranja e leite condensado (Snew Chocolife®)

O Snew Chocolife® adoça igual ao açúcar (1:1), então é a substituição mais fácil de todas: grama por grama. No bolo de laranja, 70 g de Snew no lugar de 70 g de açúcar. Na calda de laranja, 15 g por 15 g. No leite condensado que Faz Bem, 80 g por 80 g.

Doce de leite (tâmaras + Snew Chocolife®)

Aqui a troca é um pouco diferente, porque a gente aproveita a fruta. Os 140 g de açúcar de coco da receita viram 100 g de pasta de tâmaras + 40 g de Snew Chocolife®. As tâmaras entram para trazer a cor marrom e o caramelo característicos do doce de leite, que o adoçante sozinho não daria.

Morango do amor (Moon Sugar Free®)

Essa receita merece atenção especial. O morango do amor precisa de uma casca fininha e crocante, daquelas que fazem "crac" na mordida — e, depois de muitos testes, o único adoçante que entregou um resultado perfeito, igual ao do açúcar, foi o Moon Sugar Free®. Por isso aqui não é uma substituição da versão com açúcar: é uma receita construída do zero, com a quantidade específica do produto.

O Moon é um blend de polidextrose, estévia e taumatina, que praticamente não mexem na glicemia. O único ponto de atenção é que a polidextrose, por fermentar no intestino, pode dar gases e desconforto em quantidade maior. Por isso eu indico o Moon para o morango do amor, onde ele faz diferença de verdade, e prefiro as outras opções no dia a dia.

Brigadeiro e todos os docinhos de festa

O brigadeiro com adoçante sai do mesmo lugar: o leite condensado que Faz Bem com adoçante + 50g de chocolate 50% a 70% de cacau, também adoçado com adoçante. E essa é a chave de toda a mesa de festa: todos os docinhos do módulo de docinhos de festa podem ser feitos com adoçante, bastando usar o leite condensado que Faz Bem preparado dessa forma. Para se aprofundar nos chocolates, eu vou trazer um guia só sobre eles em breve.

Por que pulverizar o eritritol e o xilitol (e como fazer em casa)

Você reparou que, sempre que aparecem, eritritol e xilitol vêm "pulverizados". Isso não é capricho — é o que garante uma textura lisa e macia nas receitas. Como eles não se dissolvem tão facilmente quanto o açúcar e tendem a recristalizar (endurecer) ao esfriar, usá-los em grãos deixa as sobremesas com aquela textura areada e crocante que ninguém quer num recheio. Transformá-los em pó fino resolve o problema.

E você não precisa pagar mais caro pelas versões "de confeiteiro" do mercado. Dá para fazer em casa, fácil:

  1. Coloque o eritritol ou o xilitol granulado no liquidificador (com o copo bem seco).
  2. Bata na potência máxima por 30 a 60 segundos.
  3. Guarde o pó num pote bem fechado, para não absorver umidade.

Atenção na hora de abrir: ao desligar, não tire a tampa na hora. Espere um ou dois minutos para a "nuvem" de pó fino assentar — senão você respira adoçante e suja a cozinha inteira.

Por que eu indico algumas marcas

Eu cito marcas aqui porque são conhecidas e fáceis de achar — mas você pode usar qualquer marca da sua preferência, desde que o blend contenha os adoçantes recomendados e não contenha os que ficam de fora. A regra é sempre essa: leia os ingredientes, use a proporção indicada na embalagem e aplique do jeito que eu ensino neste guia. Para ver a lista completa de adoçantes indicados e não indicados, é só voltar ao guia de como escolher o adoçante.

Feita essa ressalva, aqui estão as que eu cito:

A Stévia Color Andina® em pó é conhecida pela pureza e pelo sabor limpo, sem aquele residual amargo que algumas estévias deixam.

O Snew Chocolife® é um blend de eritritol, fibra de milho não transgênica e estévia. E aqui mora um ponto importante: a fibra de milho é diferente do IMO. O IMO, apesar de se vender como "fibra", é digerido e vira glicose quase como açúcar — tanto que a própria FDA, a agência reguladora americana, se recusou a reconhecê-lo como fibra alimentar. Já a fibra de milho (uma maltodextrina resistente) resiste à digestão e foi reconhecida pela FDA como fibra de verdade. Por isso ela não vira glicose no sangue nem altera a sua insulina como o IMO faria.

O Zero Pura Vida® é um blend de eritritol, glicosídeos de esteviol (a estévia) e taumatina — um dos blends comerciais mais seguros e limpos que existem. A estévia e a taumatina, aliás, têm passe livre na glicemia: o corpo praticamente não metaboliza os glicosídeos de esteviol, então o efeito sobre o açúcar no sangue é mínimo.

O Moon Sugar Free® é um blend de polidextrose, glicosídeos de esteviol e taumatina, com aromatizante natural. A polidextrose é uma fibra de índice glicêmico muito baixo — quase não mexe na glicemia. O ponto de atenção, como falei no morango do amor, não é a glicose: é que, por ser uma fibra que fermenta no intestino, em quantidade maior ela pode dar gases e desconforto em quem é mais sensível. Ótimo para o morango do amor; para o resto, prefira as outras opções.

Conclusão: adoçar é técnica, não é atalho

Usar adoçante bem é metade ciência, metade prática de cozinha. Você viu que a troca nem sempre é grama por grama, que os melhores trabalham em dupla, que pulverizar muda a textura e que líquido a gente não adoça. Mas o que sustenta tudo isso continua sendo a mesma base: o adoçante entra a serviço de um doce bem construído, com ingredientes de verdade — nunca como desculpa para um doce que não nutre.

Este conteúdo é educativo e não substitui o acompanhamento individualizado com o seu nutricionista ou médico.

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Perguntas frequentes

Posso substituir o açúcar por adoçante na mesma quantidade?
Na maioria das receitas, sim — é a regra geral. Mas confira a concentração do blend: o Zero Pura Vida adoça dez vezes mais (3 g substituem 30 g de açúcar) e o eritritol, sozinho, adoça um pouco menos, por isso vai combinado com estévia.
Quanto de adoçante eu uso no lugar do açúcar num bolo?
Depende de quanto o adoçante adoça. Num bolo que pede 80 g de açúcar, dá para usar 50 a 70 g de eritritol pulverizado com 2 a 6 pazinhas de estévia, ou 80 g de Snew (que adoça igual ao açúcar, 1:1), ou apenas 8 g de Zero Pura Vida (que adoça dez vezes mais). A regra é olhar na embalagem quanto o produto adoça e ajustar.
Por que combinar dois adoçantes em vez de usar um só?
Porque cada um faz uma parte. A estévia adoça muito, mas não dá corpo nem textura; o eritritol dá corpo e volume, mas adoça menos. Juntos, você usa menos de cada, equilibra o sabor e principalmente dilui qualquer ponto de atenção de um adoçante isolado (efeitos adversos).
Por que pulverizar o eritritol e o xilitol?
Porque eles recristalizam ao esfriar e, em grãos, deixam o doce com textura areada. Transformados em pó fino — o que dá para fazer em casa, no liquidificador — garantem um resultado liso e macio.
Posso assar com adoçante? Ele perde a doçura no forno?
Pode, e não perde. Eritritol, xilitol e estévia são estáveis nas temperaturas normais de forno — um blend de eritritol com estévia mantém praticamente toda a doçura depois de assar. Por isso funcionam bem em bolos, biscoitos e tortas.
Como evitar o gosto residual amargo do adoçante?
Esse retrogosto costuma aparecer quando a estévia ou o monk fruit são usados sozinhos e em excesso. A saída é combinar: uma base de eritritol com um toque de estévia adoça sem deixar o residual. Os blends prontos bem formulados já vêm equilibrados para isso.
Pode adoçar café, chá ou suco com adoçante?
Eu não recomendo, nem com açúcar nem com adoçante. O que a gente bebe sacia menos do que o que mastiga, então o corpo não compensa essas calorias depois, e adoçar líquidos o tempo todo mantém o paladar preso no doce.
Posso usar allulose nos doces?
Lá fora ela é um ótimo adoçante, mas no Brasil a ANVISA ainda não liberou a allulose — em 2025 chegou a proibir produtos que a usavam. Por enquanto, ela fica fora da lista.
Qual adoçante usar no morango do amor?
O Moon Sugar Free, um blend de polidextrose, estévia e taumatina. Depois de muitos testes, foi o único que deu a casca fina e crocante igual à do açúcar — e, nesse caso, a receita é construída do zero, não uma substituição.

Sobre o autor

Nutricionista

Escreve sobre doces que cuidam de você — sem glúten, sem leite, sem lácteos e sem lactose. Os melhores doces da vida, que só Fazem Bem!

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